Just One Look Great NonProfits badge  
SUBSCRIBE

Apenas um olhar: Experimente o poder da consciência humana de libertar-se do medo da vida

John Sherman

Faça o download do ebook em formato PDF. (Texto revisado e atualizado em 11 de novembro de 2014.)

deutsch limba română norsk english español srpski nederlands

 

 

Uma proposta de John Sherman

Tenho uma proposta para você, que acredito ser de grande importância para o futuro da humanidade e para a vida de cada um de nós. Creio que, se fizermos um esforço para espalhar pelo mundo a notícia deste simples ato de olhar para dentro de si mesmo, poderemos nos livrar das consequências iminentes da loucura autodestrutiva que moldou toda a nossa história. Mas, primeiro, preciso contar-lhe como cheguei até aqui e o que me leva a falar com você sobre este assunto de extrema importância.

 

Minha suposta iluminação

Há dezoito anos, enquanto cumpria pena em uma prisão federal no Colorado, descobri um conjunto de ensinamentos antigos e me apaixonei por eles. Segui o que entendi desses conhecimentos o melhor que pude e, em pouco tempo, seis meses mais ou menos, surgiu-me a experiência contínua da realidade como uma abertura vasta e cristalina, livre de todas as obstruções da ignorância, que nada exige e de nada carece. Vivia imerso em uma beleza e um deslumbramento sem fim. Durante aquele período escrevi a alguém que "as pedras cantavam árias silenciosas do Ser para mim." Tinha encontrado a verdadeira iluminação e a liberação de toda a miséria da vida humana.

Depois de cerca de um ano e meio nesse estado, um anseio por coisas que desejava e não tinha, uma crescente insatisfação com o que não queria, mas de que não tinha como me livrar, e uma série de deficiências psicológicas e comportamentos reativos antigos reassumiram sua posição em minha vida e, abruptamente, puseram fim à suposta iluminação, deixando em seu lugar uma experiência contínua de perda, tormento, anseio e desespero. Tudo estava de novo como sempre fora.

Culpei a mim mesmo, é claro. Acreditei que tinha sido minha falha, minha culpa. Desejara o que não deveria ter desejado; tivera pensamentos errados; entendera mal os ensinamentos fabulosos que tinham me trazido tanta felicidade. Talvez eu fosse mesmo uma pessoa irremediavelmente danificada e defeituosa, uma semente ruim. Tinha certeza de que esta era a explicação mais provável. Eu era realmente uma pessoa ruim. Minha vida inteira tinha sido, até então, uma série de atos desprezíveis e indefensáveis, envoltos em uma sucessão de mentiras, enganos e recusa em encarar a realidade.

Quando o melodrama espiritual se iniciou, eu já estava na prisão há quinze anos e meio. Fora condenado, em 1978, a trinta anos em prisão federal por roubos a bancos, destruição de propriedade, tiroteios e fugas da prisão, nos anos setenta. Fui colocado na lista dos Dez Mais Procurados do FBI depois da segunda fuga, desta vez armado, de uma prisão na Califórnia em 1979. Finalmente, em 1981, fui capturado. Fiquei na prisão até 1998, quando obtive liberdade condicional e fui morar em uma casa de transição.

 

Tentativas de encontrar o ato

Minha vida, antes dos anos setenta, tinha sido pior. Vivera como um trambiqueiro e vigarista. Tinha sido um jogador fracassado, traficante de cartões de crédito, mulherengo, em suma, um canalha consumado. A estúpida violência, por motivos políticos, na qual me envolvi em 1977, foi um progresso para mim. Levando tudo isso em conta, não podia ter havido candidato à iluminação mais improvável do que eu.

Mas talvez não fosse inteiramente minha culpa. Talvez ser danificado e defeituoso fossem apenas características da natureza humana, algo a ser suportado em desespero silencioso do nascimento até a morte. Talvez não houvesse nada que pudesse ser feito. Talvez esse fosse simplesmente o preço de ser humano.

Talvez os belos ensinamentos religiosos e espirituais fossem, eles próprios, apenas parte do turbilhão de loucura que parece ser a natureza básica da consciência humana. A vida é sofrimento, dizem alguns; deve ser por causa do pecado original. E assim por diante. De qualquer maneira, o fim é sempre o mesmo: perda, sofrimento, anseio e desespero.

Sentado na cela, em uma prisão federal, logo após a autoinfligida queda da graça, chafurdando neuroticamente na autocomplacência e no desespero, decidi que tinha que saber, de uma vez por todas, se havia uma migalha de verdade em todas as histórias e sonhos de redenção, perdão, salvação, liberação, realização, satisfação e amor eterno com os quais a humanidade sonha através dos tempos. Apesar de tudo, queria desesperadamente acreditar que havia um princípio subjacente de bondade fundamental, que enchia de esperança um universo que, de outra forma, parecia inanimado, frio, inconsciente, sombrio e cruel. Tinha forte suspeita de que o anseio de toda a minha vida, por entendimento e liberação, não fora nada além de um elemento da presunção de que tal liberação fosse possível, e que eu tinha defendido aquela falsa aparência com uma recusa covarde de encarar de frente a alucinação. Mas, agora, eu chegara a um ponto em que tinha que saber, de uma maneira ou de outra. Era como se fosse morrer, caso não pudesse saber se havia qualquer esperança.

Após muita reflexão, concluí que tinha que descobrir algo que pudesse realizar com minha própria mente; um ato que, mesmo que não pudesse me salvar, pelo menos me livrasse dos últimos vestígios de esperança e me permitisse seguir adiante.

Estava claro para mim que a maior possibilidade de encontrar um ato como este residia nos próprios ensinamentos da sabedoria antiga que já tinham me traído. Sem dúvida era naqueles ensinamentos da sabedoria antiga, e em certos conhecimentos religiosos, que se encontravam os relatos de nossas melhores tentativas nesta área. Eu pensava que se abordasse estes ensinamentos não como chaves para a salvação, mas como registros de todas as pesquisas feitas no passado em nossa busca, até então fracassada, de salvação, talvez fosse possível examinar mais de perto e de maneira crítica as melhores tentativas e, quem sabe, encontrar uma pista. Talvez, examinando os ensinamentos como pesquisador, em vez de aspirante e suplicante, eu fosse capaz de encontrar alguma pista da melhor direção a seguir. Tinha que ser alguma coisa que qualquer ser humano pudesse fazer, Algo que nada tinha a ver com entendimento, mérito ou qualquer outra coisa. Tinha que ser algo que mostrasse, de uma vez por todas, se a vida humana valia a pena ser vivida. E eu tinha certeza de que descobriria que não valia.

 

Os resultados

Para encurtar a história, decidi por um ato e comecei a tentar realizá­lo com total dedicação. Não é necessário relatar aqui todos os passos em falso, as decisões erradas, as distrações e enganosos resultados que criei ao longo do caminho. No final, o ato me trouxe de volta ao lar, em segurança, naturalmente livre e silenciosamente apaixonado pela minha própria existência.

Levou tempo até perceber que alguma coisa tinha mudado. Comecei a sentir que a necessidade de encontrar alguma coisa errada na minha mente e tentar consertá­la estava enfraquecendo, e meu interesse estava se dirigindo naturalmente, sem resistência nem apego, às coisas que estavam acontecendo na minha vida. Não é que tudo tivesse se tornado maravilhoso. Longe disso. No início, houve períodos dramáticos, repletos de miséria e medo. Mas eles surgiram e se foram, sem deixar vestígio. Agora, vejo que aqueles períodos eram parte do curso natural da recuperação febril de uma espécie de doença psicológica autoimune que eu chamo de "medo da vida". Em pouco tempo, talvez dois anos, a febre cedeu.

Cinco anos após ter sentado em minha cama, naquela cela de prisão, determinado a me livrar de toda esperança, minha relação com a própria vida se firmara na sanidade, como se a sanidade fosse tudo que eu sempre desejara. A vida é formidável e impressionante, como sempre foi. É difícil encontrar sentido na vida; a vida é imprevisível, repleta de problemas e soluções em busca de seus parceiros, atravessada pela dor, pelo prazer e por momentos de terror estimulante, e sempre, sempre, de uma beleza inexprimível.

Tentativas de transmitir o ato

Quando me libertaram, em 1998, fui acolhido por membros de uma comunidade que tinham se tornado meus amigos quando ainda estava na prisão. Deram­me emprego e, quando problemas financeiros fizeram com que não pudessem mais me empregar, começaram a organizar reuniões em satsang para mim, e continuaram a me apoiar com doações. Um contexto novo para a minha vida estava começando a se formar.

Isto acabou sendo muito mais difícil do que eu imaginara. Sabia o que tinha acontecido, sabia qual era a sensação de fazer o que tinha feito, e estava vivendo os resultados daquele ato, mas não conseguia encontrar uma maneira de dizer qualquer coisa a respeito, com clareza suficiente.

O ato em si não requer nada além da ação de fazê-lo. Ele não requer entendimento, nem que se abandone entendimentos existentes; não requer uma crença nova nem o abandono de crença antiga; não requer reforma da mente nem pureza de propósito; não precisa de posturas especiais, preparação mental, nem transmissão direta de um mestre. O ato não custa nada. Não leva quase tempo algum e pode ser realizado em qualquer lugar, a qualquer momento, por qualquer pessoa, sem qualquer preparação. Por isso, eu achava que se pudesse falar sobre o ato de maneira suficientemente clara, qualquer pessoa que me ouvisse certamente poderia realizá-lo. E eu sabia, por experiência própria, que qualquer pessoa que tentasse não falharia.

 

Nossa missão de vida

O ato em si parecia simples demais, e o meu entendimento era complicado também demais, para que pudesse falar sobre ele de maneira clara e direta. Quanto mais eu tentava, mais sentia que não estava à altura da tarefa, mas quanto mais tentava abandoná­la, mais claro ficava que não poderia desistir. Não vou entrar em detalhes aqui, você certamente sabe, por experiência própria, que a vida segue, sem levar em conta a nossa opinião.

Carla e eu decidimos que, já que esta era a nossa vida, nos entregaríamos completamente. O propósito prático de nossa existência juntos passou a ser a busca de uma maneira de comunicar a qualquer pessoa, direta e claramente, o que ela precisaria fazer para se livrar, de uma vez por todas, do medo e do ódio de si mesma, que estragam a vida humana. Nós descobriríamos como falar sobre este ato e seus resultados, de modo que qualquer pessoa pudesse entendê-lo e realizá­lo, e reconhecer os resultados conforme surgissem.

Para nós, isso significava continuarmos nos encontrando com as pessoas e aprendendo com elas, através de nossas conversas, como dizer­lhes o que queria. Este ato é profundamente humano, e era evidente que só poderia ser exprimido através de conversas e não de reflexão solitária. Agora, este ato simples encontrou sua expressão e seu poder está começando a se revelar mais amplamente, conforme se espalha de boca em boca e as pessoas nos relatam suas tentativas de realizá­lo e suas experiências de recuperação.

 

O que fazer?

Já mencionei minha incompetência em tentativas de encontrar este ato, de como me debati estupidamente em busca do que fazer e, então, como lutei para encontrar uma maneira de transmiti-lo. Mas não há razão para você passar por tudo que passei. Estou lhe dando tudo aqui, gratuitamente e sem compromisso.

 

Primeiro passo: Aprenda a mover deliberadamente a sua atenção

  • Para começar, relaxe por um momento e veja como é óbvio o fato de que você tem o poder de comandar a sua atenção.

  • Enquanto lê este texto, mova a sua atenção para longe e dirija-a para a sua respiração.

  • Perceba a sensação do seu peito e da sua barriga se expandindo e contraindo e, em seguida, traga a sua atenção de volta para esta página.

  • Faça isso algumas vezes, para se familiarizar com o que quero dizer com a frase "mover deliberadamente o foco da sua atenção".

 

A ação de mover deliberadamente a atenção, como você acaba de fazer, é tudo de que você precisa para realizar o que estou pedindo. Quanto mais praticar este ato simples, mais se familiarizará com a sensação de fazê-lo. E quanto mais íntimo você se tornar desta sensação, mais habilidade e precisão terá em suas tentativas de dirigir o foco de sua atenção para onde precisa ir.

 

Segundo passo: Vire o foco da sua atenção para dentro de si mesmo

Agora use esta habilidade e vire o foco de sua atenção para dentro de si mesmo. Tente ter um contato direto e sem mediação com a sensação de ser você, simples e sem nada de extraordinário.

Quando digo "você", não estou me referindo aos pensamentos que passam por você, nem às emoções que se desenrolam em você, nem às sensações que aparecem e desaparecem. Refiro-me somente a você. Você é o que está sempre aqui, olhe para isso. Tudo mais vai e vem dentro de você. Você já sabe o que você é, conhece a sensação de ser você e com certeza se reconhecerá quando olhar para si desta maneira.

Você não precisa tentar conservar esta sensação, nem descansar em si mesmo, nem qualquer coisa deste tipo. Só precisa da duração de uma batida do coração, tão pouco tempo que você mal vai perceber. É realmente simples assim. Repita este ato sempre que se lembrar.

Não há um terceiro passo.

Eu chamo este ato de "olhar para si mesmo". Se você fizer só isso, em pouco tempo chegará o dia em que toda a sua insatisfação com a vida começará a desaparecer e, com ela, a percepção de que a sua vida é um problema a ser resolvido, uma ameaça a ser eliminada, ou o esconderijo de um tesouro secreto que poderá algum dia lhe trazer satisfação e realização.

Ouça uma gravação com estas instruções (em inglês).

 

Relatos de sucesso (em inglês)

 

Leia mais relatos em nosso fórum.

Leia mais relatos em nosso website.

 

Simples demais, bom demais para ser verdade? Pode parecer que sim, mas milhares de pessoas, em todo o mundo, já experimentaram o poder que tem este simples ato, de transformar nossa relação com nossa própria vida de uma relação caracterizada pela alienação, desconfiança e medo, em uma imersão total e natural no deslumbramento contínuo da vida.

Se você ainda não tentou, tente agora; garanto que, após certo tempo, você se sentirá confortável, seguro e confiante, satisfeito com tudo. Pode levar um tempo para você compreender a importância do que aconteceu, mas prometo que você ficará satisfeito com o progresso das coisas conforme estas se desenrolarem, mesmo que tal satisfação lhe pareça estranha.

 

E agora...?

Conforme a neblina se dissipar, você poderá entender, como muitos de nós já compreendemos, que a ideia de seres humanos individuais e solitários, realizando para si mesmos a promessa completa da vida humana, é simplesmente ridícula. A humanidade não é um conjunto de seres individuais, ela é uma criatura única que vive inúmeras vidas individuais. Acontece que as fronteiras que separam cada vida individual da experiência de vida de todas as outras vidas individuais são extremamente porosas. Elas não conseguem nos manter isolados do oceano de miséria que é a experiência preponderante da grande maioria de nós. Elas vazam. Você descobrirá, como muitos de nós já descobrimos, que a consciência mais aguda do sofrimento e insatisfação humanos, embora não tenha mais o poder de arruinar a sua experiência da própria vida, em pouco tempo se tornará cansativa, como uma frase musical de uma canção ruim que não sai da sua cabeça.

Esta experiência empática do sofrimento dos outros se chama compaixão e em geral surge automaticamente na mente que se libertou das camadas de estruturas protetoras e comportamentos reativos neuróticos.

Esta compaixão, quando compreendida em sua verdadeira natureza, obriga-nos a fazer uma escolha: podemos não fazer nada e conviver com a pequena irritação provocada pelo sofrimento dos outros; podemos nos isolar, colocar uma certa distância, literal ou metafórica, entre nós e os outros que estão sofrendo; ou podemos tentar eliminar o sofrimento de todos levando uma solução verdadeira a toda a humanidade.

Continue lendo...