Just One Look Great NonProfits badge  
Subscribe to our free newsletter.

O valor terapêutico de olhar para si mesmo

english

 

A mensagem abaixo, postada recentemente no fórum por Bruno, é ótima, porque sugere uma coisa que, por estranho que pareça, eu não tinha considerado antes. Ela também é um bom exemplo do que mais valorizamos aqui, que é a participação inteligente dos membros desta comunidade na expansão da nossa compreensão coletiva da questão da desconcertante e quase universal insatisfação humana com a vida, a sua causa e a sua cura.

 

Baseado em seus ensinamentos, tinha a impressão de que os efeitos positivos do olhar se manifestam com o tempo, agindo quase silenciosamente em segundo plano, porque o "aparelho psíquico" continua com seus velhos truques durante um bom tempo ainda. No meu caso, cada olhar ajuda. Toda vez que um comportamento neurótico se manifesta, ou ansiedade, um olhar bem-sucedido ajuda, quase de imediato, a me acalmar. Sempre me ajuda ser lembrado de mim mesmo. (E eu não confundo o olhar com algum estado ansiado de felicidade suprema ou o que quer que seja.) Será esta observação um velho truque da mente na tentativa de escapar?

 

Até agora, eu tinha suposto que a utilidade de olhar para si mesmo se limitava ao primeiro olhar. Tinha minhas razões para pensar assim, razões que têm a ver com a suposição não examinada de que o poder do olhar se limita à invalidação da falsa suposição de que a vida é para ser temida, e a conclusão, bem fundamentada a estas alturas, de que esta invalidação acontece instantaneamente, o que torna a repetição do ato não só algo desnecessário mas até mesmo causador de confusão. Existe também o perigo de transformar o ato em si em um fetiche, o que só pode adiar o progresso da recuperação e torná-la ainda mais difícil. 

Mas também é verdade que, no período que se seguiu ao meu primeiro olhar para mim, percebi que continuava retornando frequentemente àquilo que tinha percebido naquele olhar. Na época, pensei que este retorno era involuntário, e sempre disse às pessoas que deveriam esperar este tipo de repetição. Frequentemente sugeri às pessoas que olhassem para si mesmas sempre que a ideia de olhar lhes ocorresse naturalmente. 

Agora vejo, graças ao Bruno, que minha compreensão desta questão pode ter sido um tanto equivocada. A repetição intencional do ato de voltar a atenção para a sensação de 'eu' pode de fato ser bastante útil, tanto como uma ferramenta terapêutica que oferece um alívio momentâneo como uma ferramenta auxiliar no desenvolvimento da capacidade pessoal de focalizar a atenção.

Um dos efeitos da destruição da crença na ideia de que a vida é para ser temida é o surgimento de considerável confusão e, muitas vezes, uma experiência de angústia e aflição intensificadas, enquanto a fundação da psicologia pessoal está se reformando e a mente se regenerando.

Podemos usar nossa capacidade de decidir por nós mesmos a que prestar atenção, de uma maneira que não só minimiza o desconforto, mas também fortalece e esclarece nossa compreensão do poder que tem a atenção quando dirigida por nós mesmos.

Recomendamos a todos os que estejam enfrentando este desconforto que percebam quando a sua atenção for atraída e capturada por sensações e pensamentos dolorosos, e então movam a atenção deliberadamente para uma experiência neutra, como a sensação do ar entrando e saindo corpo.

Este movimento deliberado da atenção muito provavelmente é o único ato de livre-arbítrio de que nós, seres humanos, somos capazes e, ao ser exercitado, desenvolve uma habilidade, força e satisfação que nada mais produz.

O que não tínhamos percebido antes é a utilidade óbvia e perfeita desta sensação profunda e sutil de mim mesmo como um alvo alternativo para este movimento intencional e terapêutico da atenção. 

Esta conversa com Bruno é um ótimo exemplo do que para nós é a função principal da comunidade Just One Look [Apenas um olhar]: uma exploração coletiva das possibilidades desconhecidas inerentes a uma mente livre de ansiedade e insatisfação. À medida que mais e mais pessoas dentre nós deixam para trás a auto-absorção causada pelo ambiente de medo e alienação da própria vida e fazem ouvir suas vozes aqui nesta comunidade, nossa capacidade para colaborar uns com os outros e expandir nosso entendimento coletivo destas questões se desenvolve e aumenta de maneiras que nem podemos imaginar. Estamos todos juntos nessa aventura.

Tradução de Carla Sherman.