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Imortal?

John Sherman

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Outro dia, durante uma reunião online, alguém mencionou o assunto da morte. E, como era de se esperar, a conversa incluiu especulações sobre a aparente imortalidade da presença nua subjacente a tudo.

Nos milhares de anos que passamos tentando compreender a vida humana, demos diferentes nomes a esta experiência comum: deus, espírito, ser verdadeiro, presença, silêncio, e assim por diante.

Sempre tivemos conhecimento deste fenômeno mas, até agora, ainda não tínhamos encontrado uma maneira de usá-lo diretamente para qualquer fim que seja. A não ser, é claro, como uma justificativa para torturar e assassinar uns aos outros, ou como um refúgio contra a própria vida.

Aqueles que acreditamos estar em um estado de consciência mais exaltado do que nós nos disseram que esta presença silenciosa é o nosso verdadeiro lar, e que deveríamos nos esforçar para deixar para trás a carga pesada da vida e permanecer nesta presença.

Eles nos disseram que a vida não vale a pena ser vivida, e que é melhor vê-la como um castigo pelo nosso desejo de estar separados do silêncio.

Eles nos disseram que a vida é sofrimento.

Também nos disseram que nossas mentes são uma maldição, e que a paz verdadeira só pode ser alcançada quando a mente estiver morta e os pensamentos sobre as coisas extintos.

Retire-se, eles nos dizem. Descanse no silêncio e abandone a angústia da vida.

Estas ideias, obviamente, são os exemplos mais extremados de uma tendência geral a buscar a paz e tentar acalmar a mente.

Eu também tenho esta experiência de algo simples e vasto, e até imortal, sempre levemente presente na consciência. Tanto quanto posso dizer, ela é indistinguível da sensação sutil de mim mesmo aqui.

Isto poderia levar a ideias ainda mais absurdas sobre mim, minha posição no universo, e o propósito da minha vida.

Mas a experiência direta desta presença silenciosa que resulta da tentativa de ter um contato direto comigo mesmo produz o efeito diametralmente oposto: ela destrói o contexto de medo que adoeceu as nossas mentes e abre-nos pela primeira vez para o milagre da vida humana em toda a sua complexidade.

A mente que foi transformada por este contato direto com a sua natureza real e perdeu o contexto de medo que anteriormente arruinava a experiência da vida agora descobre que o engajamento com a própria vida é a única fonte de satisfação verdadeira.

Por isso, acredito que a experiência direta desta presença silenciosa encontrou seu verdadeiro propósito, não como um refúgio contra a vida, mas como uma razão para viver da maneira mais total e direta possível. E, ao viver a vida plenamente, descobrimos que o objetivo verdadeiro de todos os nossos esforços já está sempre presente no deslumbramento desenfreado que é ser um ser humano.

Em breve, esta vida retornará ao silêncio mas, até chegar este dia, fico contente em estar desperto e vivo, e cada vez mais profundamente envolvido aqui.

E, por incrível que pareça, quanto mais inteiramente estou nesta vida, mais profunda e permanentemente presente é a minha experiência desta presença misteriosa em si.

Traduzido por Carla Sherman.