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A mente

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Já é mais do que hora de chegarmos a um entendimento do papel central que nossas mentes desempenham em nossas vidas.

Minha mente é o local onde ocorre a minha experiência do mundo inteiro e cada relacionamento que tenho com as coisas e as pessoas que vão e vêm dentro dela, por mais breve ou duradouro que seja. A experiência bruta do meu corpo e a minha compreensão de sua condição, ocorrem apenas dentro da minha mente. 

Minha mente é uma coleção viva de entendimentos e relações entre mim e o mundo em que vivo, todas as pessoas que conheço e todas as pessoas de que já ouvi falar. Minha experiência de todas as emoções e estados de espírito, medo, satisfação, insatisfação, desejo, aversão, bom humor e mau humor, dor e prazer, tudo isso ocorre apenas dentro, e como componentes da minha mente. Todas as sensações, todas as experiências, todos os entendimentos corretos e os entendimentos equivocados das experiências são aspectos e características que aparecem e desaparecem, são julgados, esquecidos, ou recordados dentro da minha mente, como a minha mente.

No dia a dia, em condições normais, eu não consigo encontrar um limite entre a minha mente e mim. A mente é o lugar em que vivo a minha vida. No entanto, apesar desta experiência comum, durante os muitos séculos de nossa insatisfação humana com a vida, nós conseguimos erguer uma plataforma dentro de nossas mentes, a partir da qual julgamos, melhoramos, corrigimos, demonizamos, adoramos e tentamos nos retirar de nossas mentes.

Este fato por si só é um tanto estranho, já que a sensação da existência de uma relação, e a própria relação, ocorrem somente dentro da minha mente. A sensação de mim mesmo, a experiência de um eu que tem uma relação com a própria mente e o aparecimento da mente em si são uma presença dentro da mente. A mente é onde toda alegria, satisfação, insatisfação, felicidade e infelicidade acontecem, juntamente com o reconhecimento e a definição destes estados. Ao longo dos séculos, nós criamos ideias profundamente atraentes que consideram a mente responsável por todos os problemas que enfrentamos como seres humanos. Estas ideias deram origem a uma tendência antiga e firmemente arraigada a demonizar a mente, e esta tendência assume muitas formas. 

Aqui neste trabalho, nesta comunidade, nós não odiamos a mente e não tentamos apagá-la, silenciá-la ou transformá-la. Buscamos apenas curá-la do medo doentio que a distorceu e estragou a nossa experiência de nossa própria vida e de nosso próprio ser. 

Isto é o que o ato de olhar para si mesmo faz: ele cura a mente. O esforço determinado, concentrado e autoconfiante para exercitar o poder que todos nós temos de mover a nossa atenção (dentro de nossas mentes) e focalizá-la onde quisermos pode nos libertar dos efeitos do medo doentio. 

A mente não é o problema. A psicologia não é o problema, apesar de ser ela o que o problema propriamente dito danifica. 

É só a sensação silenciosa de medo, a sensação de que há alguma coisa errada aqui, que precisa ser eliminada. Quando ela desaparece, a psicologia se cura por si mesma. 

O que buscamos aqui, com o nosso trabalho em comunidade, não é a quietude e o silêncio. O que buscamos, e que efetivamente encontramos aqui, é um envolvimento direto, inteligente e sem mediação com a vida e com toda a sua imprevisibilidade incontrolável, até mesmo com o seu tédio intermitente. É a vida que estamos aqui para viver.

Tradução de Carla Sherman.